
Torcicolo congênito
A causa mais frequente da plagiocefalia e como a fisioterapia ajuda.
Entender o torcicolo congênitoA plagiocefalia é o achatamento de um lado da parte de trás da cabeça do bebê, que deixa a cabeça com aspecto torto quando vista de cima. Na forma posicional, a mais comum, ela surge nas primeiras semanas de vida pela pressão repetida sobre o mesmo ponto do crânio, ainda macio. O tratamento depende do grau e da idade: reposicionamento, fisioterapia e, nos casos moderados e graves, a órtese craniana.
Pediatras, fisioterapeutas e clínicas de órtese craniana que avaliam e tratam a plagiocefalia.
Ver todos os especialistas do BrasilPlagiocefalia é a assimetria da cabeça em que um lado da parte de trás fica achatado. O nome vem do grego e quer dizer cabeça oblíqua.
Existem dois tipos bem diferentes. A plagiocefalia posicional, também chamada de deformacional, é causada pela pressão externa sobre o crânio e corresponde à grande maioria dos casos. A plagiocefalia por craniossinostose, rara, acontece quando uma sutura do crânio se fecha antes do tempo.
Vista de cima, a plagiocefalia posicional lembra um paralelogramo: a nuca achatada de um lado empurra a orelha e a testa desse mesmo lado um pouco para a frente. Esse desenho ajuda o profissional a diferenciar os dois tipos.
Ela é muito frequente nos primeiros meses. Estudos encontram algum grau de plagiocefalia em 16% a 46% dos bebês pequenos, a maioria leve (Hutchison, 2004; Mawji, 2013).

A plagiocefalia posicional aparece quando a cabeça do bebê fica apoiada quase sempre no mesmo ponto. A preferência por virar a cabeça para um lado e o torcicolo congênito são os fatores mais fortes.
O músculo do pescoço encurtado faz o bebê olhar sempre para o mesmo lado. Entenda o torcicolo congênito.
Mesmo sem torcicolo, muitos bebês viram a cabeça sempre para a luz, a porta ou o lado da mamada.
Pouco espaço no fim da gestação, gêmeos e bebês sentados podem nascer com a cabeça já apoiada de um jeito.
O crânio do prematuro é mais macio e ele passa semanas deitado na UTI neonatal.
Pouco tempo de barriga para baixo acordado deixa a cabeça mais horas apoiada atrás.
Longos períodos em bebê-conforto, carrinho e cadeirinha mantêm a pressão no mesmo ponto.
Ser menino e ser o primeiro filho também aparecem como fatores de risco nos estudos (van Vlimmeren, 2007). Dormir de barriga para cima continua sendo o certo: a prevenção vem de alternar o lado da cabeça e do tempo de bruços acordado.
A cabeça vista de cima
Na plagiocefalia posicional, o desenho lembra um paralelogramo.
O sinal mais claro aparece quando você olha a cabeça do bebê de cima, com o cabelo molhado: um lado da nuca fica mais reto e a orelha desse lado parece mais à frente.
Tire uma foto de cima a cada duas semanas, sempre no mesmo ângulo. A comparação mostra se o formato está melhorando.
Os graus da plagiocefalia são definidos pelo CVAI, o índice que compara as duas diagonais da cabeça. A escala de Atlanta (CHOA), uma das mais usadas, divide a assimetria em cinco níveis.
| CVAI | Grau | Como costuma ficar a cabeça | O que costuma ser feito |
|---|---|---|---|
| Menos de 3,5% | Dentro do esperado | Formato simétrico | Acompanhar nas consultas de rotina |
| De 3,5% a 6,25% | Leve | Achatamento discreto, só atrás | Reposicionamento e tempo de bruços |
| De 6,25% a 8,75% | Moderada | Achatamento mais visível, orelha começa a desalinhar | Reposicionamento e fisioterapia; órtese conforme a idade e a evolução |
| De 8,75% a 11% | Grave | Orelha desalinhada e mudança na testa | Tratamento conservador e órtese craniana |
| Acima de 11% | Muito grave | Mudanças na testa, nas órbitas e no rosto | Tratamento conservador e órtese craniana |
Faixas segundo a escala de Atlanta (Holowka, 2017). O grau é um dos critérios; a decisão considera também a idade e a evolução. Veja como medir os graus da plagiocefalia ou use a calculadora de índice craniano e CVAI.
Muitos casos leves melhoram com o crescimento, principalmente com reposicionamento e tempo de bruços. Mas nem todos: uma parte continua visível anos depois, e por isso vale acompanhar de perto.
dos bebês de 7 a 12 semanas tinham algum grau de plagiocefalia num estudo com 440 bebês
Mawji, 2013desses casos eram leves, a faixa que mais responde aos cuidados em casa
Mawji, 2013das crianças ainda tinham assimetria aos 2 anos, contra 19,7% aos 4 meses
Hutchison, 2004seguia com plagiocefalia moderada a grave aos 5 anos numa coorte holandesa
van Vlimmeren, 2017A melhora espontânea é mais comum nos casos leves. Nos moderados e graves, esperar demais pode fechar a melhor janela de tratamento, que acontece enquanto a cabeça cresce rápido, nos primeiros meses. Se houver torcicolo, a fisioterapia precisa começar cedo. Em caso de dúvida, peça ao pediatra para medir e acompanhar a evolução.
O tratamento da plagiocefalia segue uma escada: começa pelos cuidados em casa e avança conforme o grau, a idade e a resposta do bebê. Os casos leves costumam melhorar com reposicionamento; os moderados e graves podem precisar da órtese craniana.
Mudanças na rotina que tiram a pressão do lado achatado. Veja o reposicionamento em casa.
Primeira linha quando há torcicolo ou preferência por um lado. Entenda a fisioterapia para plagiocefalia.
Indicada nos casos moderados e graves, com melhores resultados entre 4 e 6 meses. Conheça a órtese craniana.
Usada por alguns profissionais como complemento. Veja o que se sabe sobre a osteopatia para bebê.
Nos casos moderados e graves, a órtese craniana corrige o formato mais e mais rápido: numa série de 4.378 bebês, 94,4% dos que usaram o capacete como primeira opção chegaram à correção completa (Steinberg, 2015). Compare as opções de tratamento lado a lado.
Procure o pediatra assim que notar o achatamento. Os sinais abaixo pedem avaliação especializada sem demora, porque mudam o tratamento ou podem indicar outra causa, como a craniossinostose.
O formato não melhora depois de algumas semanas de reposicionamento bem feito.
O bebê não consegue ou não gosta de virar a cabeça para um dos lados.
A orelha ou a testa do lado achatado já estão visivelmente à frente.
A assimetria continua marcada na idade em que a órtese costuma ser avaliada.
Você sente uma quina dura sobre uma das linhas do crânio.
A cabeça já era diferente ao nascer e o formato piora com as semanas.
A plagiocefalia costuma ser acompanhada por uma equipe: o pediatra identifica, o fisioterapeuta trata o pescoço e a postura, e a clínica de órtese entra nos casos moderados e graves.
Identifica a assimetria, orienta a rotina e encaminha.
Ver pediatrasTrata o torcicolo e ensina o reposicionamento.
Ver fisioterapeutasFaz o escaneamento, a órtese e os ajustes.
Ver clínicas de órteseAvalia os casos com suspeita de craniossinostose.
Ver neurocirurgiõesSim, na grande maioria dos casos. A plagiocefalia posicional é uma alteração de formato, e o crescimento rápido do crânio nos primeiros meses permite corrigi-la. Os casos leves costumam melhorar com reposicionamento e tempo de bruços; os moderados e graves respondem bem à fisioterapia e à órtese craniana, principalmente quando o tratamento começa cedo.
Quanto mais cedo, melhor. O reposicionamento e a fisioterapia podem começar nas primeiras semanas de vida. Quando a órtese craniana é indicada, os melhores resultados aparecem com início entre 4 e 6 meses, porque a cabeça ainda cresce rápido. Depois de 12 meses a correção fica mais lenta, e a decisão é individual.
A plagiocefalia leve pede cuidados, não necessariamente um tratamento formal. O reposicionamento em casa, o tempo de barriga para baixo acordado e mais colo costumam bastar. O mais importante é acompanhar a evolução com o pediatra, com fotos e medidas, e procurar o fisioterapeuta se houver torcicolo ou se o formato não melhorar.
Sim. Num estudo canadense com 440 bebês, 63,2% das plagiocefalias estavam do lado direito (Mawji, 2013). O lado do achatamento não muda o tratamento. O que importa é o grau da assimetria, a idade do bebê e a presença de torcicolo, que o profissional avalia no exame clínico.
A plagiocefalia usa o CID Q67.3, que descreve a plagiocefalia entre as deformidades congênitas do crânio. O código aparece em pedidos de exames, relatórios e encaminhamentos. Quem define o CID no laudo é o médico, conforme o diagnóstico, que pode incluir também o torcicolo congênito, com outro código.
É pouco comum. Os estudos de acompanhamento mostram que o formato corrigido tende a se manter, porque o crescimento da cabeça desacelera e o bebê passa menos tempo deitado depois que senta e engatinha. Manter o tempo de bruços e a variação de posições até o fim do tratamento ajuda a consolidar o resultado.

A causa mais frequente da plagiocefalia e como a fisioterapia ajuda.
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Quando a nuca achata por igual e a cabeça fica curta e larga.
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