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Assimetria craniana no bebê: o que é, tipos e quando se preocupar

A assimetria craniana no bebê é qualquer alteração no formato da cabeça, como um lado achatado, a nuca achatada ou a cabeça mais longa e estreita. Na grande maioria dos casos ela é posicional, causada pela pressão repetida sobre o crânio ainda macio, e melhora com cuidados simples quando identificada cedo.

Ilustração da cabeça do bebê vista de cima comparando o formato típico, a plagiocefalia, a braquicefalia e a escafocefalia
A cabeça do bebê vista de cima: formato típico, plagiocefalia, braquicefalia e escafocefalia.
Definição

O que é assimetria craniana

Assimetria craniana é o nome geral para as alterações no formato da cabeça do bebê. Ela tem duas origens bem diferentes: a posicional, muito comum, e a craniossinostose, rara.

Nos primeiros meses, os ossos do crânio são macios e separados por suturas, que permitem o crescimento rápido do cérebro. Quando o bebê fica muito tempo apoiado sobre o mesmo ponto, aquela região se achata. Essa é a assimetria posicional, também chamada de deformacional.

Bem mais rara, a craniossinostose acontece quando uma sutura se fecha antes do tempo e muda a direção do crescimento da cabeça. Ela exige avaliação de neurocirurgião pediátrico.

Muito comum

Assimetria posicional

  • Aparece nas primeiras semanas
  • Ligada à posição e ao torcicolo
  • Melhora com cuidados e tratamento
Rara

Craniossinostose

  • Costuma existir desde o nascimento
  • Causada por sutura fechada cedo
  • Avaliada pelo neurocirurgião
Comparativo

Como diferenciar os tipos de assimetria craniana

O jeito mais simples de diferenciar é olhar a cabeça do bebê de cima, com o cabelo molhado: o formato, o lado achatado e a posição das orelhas já dizem muito.

Principais diferenças entre os tipos de assimetria craniana
TipoOnde achataComo fica vista de cimaCausa mais comumQuem avalia
PlagiocefaliaUm lado da parte de trásParalelogramo: a orelha do lado achatado fica mais à frentePosição repetida da cabeça, torcicoloPediatra e fisioterapeuta; clínica de órtese nos casos moderados e graves
BraquicefaliaToda a parte de trásCabeça curta e larga, nuca retaTempo prolongado de costas sem alternar posiçõesPediatra e fisioterapeuta; clínica de órtese nos casos moderados e graves
EscafocefaliaAs lateraisCabeça longa e estreita, como um barcoPrematuridade (posicional) ou sutura sagital fechadaPediatra; neurocirurgião se houver suspeita de sutura fechada
CraniossinostoseDepende da suturaFormatos típicos, como trapézio, triângulo ou barcoFechamento precoce de uma ou mais suturasNeurocirurgião pediátrico

O diagnóstico é sempre feito pelo profissional, no exame clínico.

Sinais de alerta

Quando procurar um especialista

Procure o pediatra assim que notar o achatamento. Os seis sinais abaixo pedem avaliação especializada sem demora, porque podem indicar torcicolo ou craniossinostose.

Formato que piora

A cabeça já era diferente ao nascer e o formato piora com as semanas.

Crista sobre a cabeça

Você sente uma quina ou crista óssea sobre uma das linhas do crânio.

Sem melhora em casa

A assimetria não melhora depois de semanas de reposicionamento.

Pescoço sempre de lado

O bebê vira a cabeça sempre para o mesmo lado ou inclina o pescoço.

Perímetro fora da curva

A medida da cabeça na caderneta fica acima ou abaixo do esperado.

Moleira abaulada

Moleira tensa e estufada com vômitos ou sonolência pede pronto atendimento.

Passo a passo

Do primeiro sinal ao tratamento

O caminho mais comum tem quatro etapas. Quanto mais cedo ele começa, mais simples tende a ser o tratamento.

  1. Observar e medir

    Olhe a cabeça de cima, tire fotos e use a calculadora de índice craniano.

    Primeiras semanas
  2. Conversar com o pediatra

    Ele avalia o formato, o pescoço e orienta o reposicionamento em casa.

    Na consulta de rotina
  3. Avaliação especializada

    Fisioterapeuta, neurocirurgião ou clínica de órtese medem e definem a conduta.

    Se não houver melhora
  4. Tratamento e retornos

    Fisioterapia, órtese craniana ou cirurgia, com medidas para acompanhar.

    Conforme a indicação
Mitos e verdades

Mitos e verdades sobre a cabeça achatada

Muita informação sobre a cabeça do bebê circula sem base. Estes são os seis mitos mais comuns e o que as fontes científicas dizem.

Mito

Dormir de lado evita a cabeça achatada.

Verdade

O bebê deve dormir sempre de barriga para cima. A prevenção vem de alternar o lado da cabeça e do tempo de barriga para baixo acordado.

Mito

Travesseiro anticabeça chata resolve.

Verdade

Travesseiros e posicionadores no berço aumentam o risco de sufocação e não são recomendados pela SBP nem pela AAP.

Mito

A cabeça achatada prejudica o cérebro.

Verdade

Não há prova de que a assimetria posicional afete o cérebro. Casos moderados e graves merecem acompanhamento do desenvolvimento.

Mito

Toda cabeça achatada precisa de capacete.

Verdade

Os casos leves costumam melhorar com reposicionamento. Nos moderados e graves, a órtese craniana mostra ótimos resultados quando começa cedo.

Mito

O capacete aperta a cabeça do bebê.

Verdade

A órtese não aperta: ela encosta nas áreas salientes e deixa espaço nas achatadas, para o próprio crescimento corrigir o formato.

Mito

A culpa é dos pais.

Verdade

Posição no útero, prematuridade, gemelaridade e torcicolo também causam assimetria. Dormir de barriga para cima continua sendo o certo.

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Perguntas dos pais

Perguntas frequentes sobre os tipos de assimetria craniana

Qual é o CID da assimetria craniana?

A plagiocefalia usa o CID Q67.3, a craniossinostose usa o Q75.0 e o torcicolo muscular congênito usa o Q68.0. O código exato é escolhido pelo médico no laudo, conforme o diagnóstico. Ele aparece em pedidos de exames, relatórios para o plano de saúde e encaminhamentos para especialistas.

A assimetria craniana é comum em bebês?

Sim. Estudos encontram algum grau de assimetria em cerca de 16% a 46% dos bebês nos primeiros meses, a maioria em grau leve. A frequência cai com o crescimento: aos 2 anos, fica em poucos por cento. Por isso o acompanhamento nos primeiros meses é tão importante para identificar os casos que precisam de tratamento.

O parto normal causa assimetria craniana?

A cabeça alongada logo depois do parto normal é esperada e costuma voltar ao formato em poucos dias. Partos longos ou com fórceps e vácuo aparecem associados à assimetria em alguns estudos, mas a maior parte dos casos surge depois, pela posição repetida da cabeça nas primeiras semanas de vida.

Gêmeos têm mais risco de assimetria craniana?

Sim. Gêmeos dividem o espaço do útero e podem nascer com a cabeça já apoiada de um jeito, além de nascerem prematuros com mais frequência. Outros fatores de risco são ser menino, ser o primeiro filho, ter torcicolo congênito e passar pouco tempo de barriga para baixo acordado.

Bebês prematuros têm mais assimetria craniana?

Sim. O crânio do prematuro é mais macio e ele passa semanas deitado na UTI neonatal, muitas vezes de lado, o que favorece a cabeça mais longa e estreita, chamada dolicocefalia. No acompanhamento e na decisão sobre o tratamento, os profissionais usam a idade corrigida do bebê, e não a idade de nascimento.

A assimetria craniana causa dor no bebê?

A assimetria posicional não costuma causar dor. Ela é uma alteração de formato, sem pressão sobre o cérebro. Quando há torcicolo congênito, o bebê pode ficar desconfortável ao virar a cabeça para o lado oposto, e por isso a fisioterapia é indicada desde cedo para alongar e fortalecer o pescoço.

A assimetria craniana afeta o rosto e as orelhas?

Nos casos moderados e graves de plagiocefalia, sim: a orelha do lado achatado pode ficar mais à frente, e a testa e a bochecha podem parecer assimétricas. Essas alterações tendem a melhorar junto com o formato da cabeça quando o tratamento começa cedo, durante a fase de crescimento rápido do crânio.

Adultos podem tratar a assimetria craniana?

Em adultos, o crânio já não cresce, por isso reposicionamento e órtese craniana não funcionam. É por esse motivo que a fase de bebê é tão importante: o crescimento rápido do crânio nos primeiros meses permite corrigir o formato com tratamentos simples e não invasivos, quando indicados no momento certo.

A assimetria craniana precisa de exame de imagem?

Na maioria dos casos, não. O diagnóstico da assimetria posicional é clínico, feito pelo exame do profissional. Para medir com precisão e acompanhar, muitos usam o escaneamento 3D, que não tem radiação. Radiografia ou tomografia ficam reservadas para quando há suspeita de craniossinostose.

Quanto tempo leva para a assimetria craniana melhorar?

Depende do grau, da idade e do tratamento. Com reposicionamento e fisioterapia, a melhora costuma aparecer em semanas a poucos meses. Com a órtese craniana, o tratamento dura em média de 3 a 4 meses, e é mais rápido quando começa cedo e o bebê usa o capacete pelo tempo indicado.

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